O valor do nosso cinema

A diversidade do cinema brasileiro em 10 filmes lançados em 2017. Obras muito diferentes entre si, realizadas nas cinco regiões do país e, em sua maioria, consagradas mundo afora.


2018 batendo à porta e ainda tem gente que abre a boca pra falar mal do cinema brasileiro. Por favor, não me confunda: esse não é um caso de patriotismo exacerbado ou de um corporativismo barato. É, simplesmente, uma analise fria dos fatos.

A verdade é que as politicas de fomento à cultura dos últimos quase 20 anos têm tornado o nosso cinema muito mais plural. Mesmo que ainda estejamos bem longe da perfeição, a diversidade do cinema feito aqui faz jus a um país de dimensões continentais.

Considero um absurdo ainda perdurarem pensamentos como “filme brasileiro só tem putaria” ou até mesmo elogios carregados de colonialismo e vira-latice como “parece até filme americano”. Até comparações com nossos vizinhos hermanos são feitas na tentativa de nos diminuir.  A minha resposta a essas comparações costuma ser: “os filmes do (Ricardo) Darín são tão parâmetro para a produção argentina quanto os do (Leandro) Hassum são para a nossa”.

O cinema brasileiro já deixou seus problemas técnicos, sua vertente putaria, e todas as mazelas ainda associadas à pornochanchada para trás há muito tempo.

Ainda precisamos lutar para vencer muitas outras – e entre elas destaco um acesso ainda maior ao fazer cinema e uma melhora significativa no hoje errático sistema de distribuição. Mas divago, o intuito aqui é enaltecer nossa produção e para isso selecionei dez filmes brasileiros lançados em 2017. Obras muito diferentes entre si, realizadas nas cinco regiões do país e, em sua maioria, consagradas muito afora.

Esse não é, de forma alguma, um top 10.

Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano – Pernambuco.

:: Elias trabalha como assistente da estilista Diana em uma confecção de roupa feminina. Ele se apaixona por Filipe, um imigrante africano que trabalha na linha de produção, e começa a organizar festas para ter motivos extras para encontrar o garoto.

 

Antes o Tempo não Acabava, de Fabio Baldo e Sergio Andrade – Amazonas

:: Anderson é um jovem indígena em conflito com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. Ali, as tradições mantidas por seu povo parecem anacrônicas em relação à vida contemporânea que ele leva. Em busca de autoafirmação, Anderson abandona a comunidade para viver sozinho no centro da cidade, onde experimenta novos sentimentos e enfrenta outros desafios. No entanto, o Velho Pajé planeja trazê-lo de volta para mais um ritual.

 

Duas Irenes, de Fabio Meira – Goiás

:: Uma menina de 13 anos, de uma família tradicional do interior, descobre que seu pai tem uma filha com outra mulher, e que essa menina tem a mesma idade e o mesmo nome dela.

 

Rifle, de Davi Pretto – Rio Grande do Sul

:: Dione é um jovem que vive com sua família isolados em uma região rural. A tranquilidade do local é abalada quando um rico proprietário tenta comprar a propriedade onde ele e sua família vivem. Dione resolve carregar consigo um rifle para defender seu território.

 

Bingo: O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende – São Paulo

:: Cinebiografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo da televisão brasileira durante a década de 1980. Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado. Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

 

Gabriel e a Montanha, de Felipe Barbosa – Rio de Janeiro

:: Gabriel é um jovem aventureiro cheio de planos. Antes de se preparar para a vida acadêmica na Universidade da Califórnia, ele decide ir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi.

 

Como Nossos Pais , de Laís Bodanzky – São Paulo

:: Rosa é uma mulher que almeja a perfeição como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Filha de intelectuais e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente.

 

Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans – Minas Gerais

:: Em uma antiga fábrica de alumínio em Ouro Preto, Minas Gerais, um jovem acaba encontrando o diário de um trabalhador que sofreu um acidente. Com a história, o filme apresenta um panorama das condições de vida desses trabalhadores marginalizados.

 

Pendular, de Julia Murat – Rio de Janeiro

:: Em um galpão abandonado, um casal observa a arte e sua intimidade se misturarem. Aos poucos, eles vão perdendo a capacidade de distinguir o que faz parte de seus projetos e o que é a relação amorosa.

 

No Intenso Agora, de João Moreira Salles – Rio de Janeiro

:: Documentário político que justapõe, através de imagens de arquivo, uma série de acontecimentos diferentes da década de 1960, como: a revolta estudantil em Paris, a Primavera de Praga em meio a dominação da União Soviética e a China de 1966 sob o regime de Mao, experienciado pela mãe do diretor na época.

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Escolher apenas 10 filmes foi uma tarefa complicada – o que, por si só, já diz muito sobre o nosso cinema.

Miguel Moura
Miguel formou-se em literatura inglesa pela UERJ e faz do cinema e da fotografia suas ferramentas de resistência. Na Rebuliço, converge suas paixões em prol do fortalecimento e disseminação da cultura popular brasileira - e carioca.

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